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Músicas que valem uma nota: a força do mercado de composições no Brasil

Escrito por Catharina Queiroz. O Otimista.


Por trás de sucessos consagrados no mundo da música, geralmente existem cabeças pensantes que articulam e processam cada palavra, cada cifra, cada rima e cada sentimento na construção da letra e melodia. Foi assim que Jader Glayson Reis Nogueira, 43 anos, mais conhecido como Jota Reis, expandiu seu talento, de Fortaleza para o Brasil. Com cerca de 3 mil canções, o compositor coleciona hits de sucesso nas vozes de cantores renomados, como Wesley Safadão, Mateus e Kauã, Bruno e Marrone e Xand Avião.


Jota Reis conta que nasceu com o dom da composição, pois já fazia música desde criança. Mas, só aos 28 anos, o morador do bairro Aerolândia conseguiu enxergar o que estava à sua espera. Um mercado que faturou R$ 2,52 bilhões no Brasil em 2022, avanço de 15,4% em relação a 2021, segundo dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).


Sobre as inspirações para montar suas canções, o artista relata que elas vêm do dia a dia. “De tudo que se vê e se escuta. A mente se encarrega de montar as peças. Não existe momento propício para compor. Quando a música vem, ela não escolhe hora e nem lugar”, afirma, sem querer revelar quanto ganha atualmente, em média, por cada canção vendida.


O compositor também explica que é preciso muita organização para prosseguir a carreira. “Minha rotina de trabalho funciona através de agendamentos com parceiros para compor principalmente no meu estúdio, mas também viajando para compor com parceiros de outros estados. Dá pra viver só de música atualmente, mas é necessário talento e muita dedicação”, diz.


Profissionalização

Representante e coordenador da Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais (Socinpro), Yuri Ben lembra que a atividade de composições já é reconhecida como profissão desde dezembro de 2021, por meio da lei 14258/2021.


Hoje, conforme ele, compositores com uma média de 30 a 60 músicas reproduzidas por cantores, que sejam executadas em rádios, shows, TVs e plataformas de streaming, geram lucro médio de R$ 12 mil mensais. “Para um compositor se profissionalizar, o primeiro passo é se filiar a uma associação de direitos autorais, a fim de regularizar o cadastro das canções e, assim, poder receber pelos direitos autorais”, observa.


A Socinpro conta com 25 mil associados. O valor a ser pago pelos direitos autorais é calculado de acordo com a forma de utilização da música (ao vivo ou mecânica), da área sonorizada, do local e do ramo de atividade do usuário. Estabelecimentos comerciais, emissoras de rádio e cinemas, por exemplo, contam com critérios de cobrança diferentes, devido à natureza de suas atividades e sua utilização musical.


O cálculo do direito autoral é feito com base nos critérios estabelecidos no Regulamento de Arrecadação, definido pelas associações de música que administram o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).


Jota Reis pondera que, apesar concorrência, está mais fácil trabalhar no mercado musical devido às possibilidade de alcance proporcionadas pela internet. “A música hoje consegue chegar mais rápido ao artista e, consequentemente, ao público. E isso faz tudo girar mais rápido”, acrescenta.


Mercado fonográfico brasileiro cresce acima da média global


No ano passado, o Brasil subiu duas posições no ranking geral da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e agora ocupa o 9º lugar mundial no setor. O mercado fonográfico nacional atingiu R$ 2,5 bilhões em 2022, crescimento de 15,4% em relação a 2021 e acima da média global (9%).


De acordo com relatório da Pró-Música, as vendas digitais e físicas totalizaram R$ 2,2 bilhões no País em 2022, enquanto as receitas de execução pública para produtores, artistas e músicos somaram R$ 323 milhões.


As plataformas de streaming “on demand” continuam sendo a principal fonte de receita para a indústria fonográfica brasileira, com 86,2% do valor faturado no ano passado. Já as receitas de vendas físicas (CDs, DVDs e discos de vinil) representaram apenas 0,5% do total.

Presidente da Pró-Música Brasil, Paulo Rosa diz que o atual modelo de streaming favorece o surgimento de uma diversidade enorme de artistas dos mais variados gêneros musicais, em razão de seu acesso instantâneo às redes de distribuição.


“Isso ocorre por meio de produtores fonográficos com atuação internacional ou apenas local, agregadores, distribuidores e todo um ecossistema que, de fato, serve primordialmente para que a música gravada chegue a cada vez mais consumidores no mundo inteiro”, destaca.

Em 2022, segundo a IFPI, as receitas do mercado fonográfico global somaram US$ 26,2 bilhões, avanço de 9% ante 2021, valor também puxado pelo streaming. Paulo Rosa diz que, há seis anos consecutivos, o setor no Brasil cresce acima da média mundial.


“Crescem consistentemente tanto as receitas decorrentes de subscrições às plataformas, como também as que são geradas por publicidade. Igualmente determinante para essa expansão foi a retomada no nível de reinvestimento das empresas fonográficas em novos talentos artísticos, marketing, promoção de artistas e catálogos de gravações musicais”, acrescenta o presidente da Pró-Música Brasil.

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