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Direitos Autorais e o "Parabéns para você" - curiosidades

Ilustração por BLF. Escrito por Raul Ruffo.


O ano era 1893. Grover Cleveland reassumia a Presidência dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro presidente norte-americano a ser reeleito não consecutivamente.


Do outro lado do mundo, a Nova Zelândia se tornava o primeiro país a conceder o direito de voto às mulheres e em Paris, a serpentina era usada pela primeira vez num carnaval.


Enquanto isso, Eduard Munch, na Noruega, terminava de pintar uma das obras de arte mais importantes do mundo: “O grito”.


Mas nenhum desses acontecimentos marcariam tanto a história da humanidade, como o que se passava numa sala de educação infantil na cidade de Louisville, nos Estados Unidos.

Duas irmãs professoras, Mildred J. Hill e Paty Hill, queriam deixar a chegada dos alunos na escola mais acolhedora e como Mildred era pianista, por que não escrever uma canção?


No final do século XIX a música começava a ser usada como ferramenta pedagógica para ensinar as crianças. Mildred e Paty escreveram então a canção “Good Morning To All”, em português, “Bom dia a todos”.


Enquanto as crianças entravam, elas cantavam:


“Good morning to you Good morning to you Good morning dear children Good morning to all”


Pareceu familiar? Pois é. A melodia usada nessa música, mais tarde se tornaria a melodia de “Happy Birthday To You” ou “Parabéns a você” para nós, brazucas.


As irmãs registraram a composição, que começou a fazer sucesso pelas cidades do estado americano de Kentucky e passou a ser a trilha sonora oficial para recepcionar milhares de crianças pelos Estados Unidos.


30 anos depois, como acontece com todo bom folclore, a música surgiu modificada num livro publicado por Robert Coleman, chamado “Celebration Songs”.


A publicação trazia canções para o jardim de infância e a composição de Mildred e Paty estava lá, com o nome de “Happy Birthday To You”. Em algum momento nesses 30 anos, alguém estava num aniversário e provavelmente de improviso, numa faísca mental, soltou um “Happy Birthday” no lugar de “Good Morning” e a galera deve ter se olhado com uma cara de “não é assim” misturado com “ué, ficou bom isso!” e a partir daí a canção viralizou na lentidão do século XX.


Versão brasileira “Herbert Richers” dos parabéns

Tudo que o brasileiro pega ele melhora. Aqui é a terra do sushi com bacon e da pizza de açaí, respeita. Com o “Happy Birthday” não seria diferente.


A música chegou por aqui no final da década de 1930 e em 1942, o compositor e radialista Almirante, organizou na histórica Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, um concurso para escolher a melhor versão brasileira para “Happy Birthday To You”.


Entre 5 mil participantes, uma paulista de Pindamonhangaba, farmacêutica, chamada Bertha Homem de Mello, conquistou o júri formado por imortais da Academia Brasileira de Letras e entrou pra história do Brasil.


Enquanto quase todas as 5 mil letras seguiram a mesma ideia da americana, que repetia sempre a primeira frase, Bertha criou uma frase diferente pra cada verso: “Parabéns a você Nesta data querida Muitas Felicidades Muitos anos de vida”


Essa estrofe nasceu pra essa música! Os americanos deveriam importar essa versão e assumir que a brasileira ficou muito mais completa, contemplando tudo o que a gente deseja pra alguém que faz aniversário.


A versão brasileira da cantiga, há décadas permanece da lista das músicas mais tocas do país, segundo o Ecad. O valor de direitos autorais que vai pra família de Bertha o Ecad não revela, mas, tivemos acesso a como são divididos os royalties de “Parabéns a você” no Brasil:


41,67% para a Fundacão Hill, 41,67% para a Warner Chappel e 16,6% para a família de Bertha Mello. Pela quantidade de tempo que essa música permanece entre as mais tocadas, podemos afirmar com tranquilidade que é a música que mais ganha dinheiro no Brasil.

Impasse judicial

Nos estados unidos, “Happy Birthday” faturava até 2015, 2 milhões de dólares por ano.

A treta começou porque quando Robert Coleman publicou o livro com a versão atualizada da letra, ele não deu crédito as irmãs Hill. Pouco tempo depois da publicação do livro, a música já aparecia em filmes, musicais da Broadway e já começava a se espalhar pelo mundo.


Como não havia registro de autoria no livro, pensaram que a música fosse de domínio público, mas, em 1933, a Jessica Hill, irmã mais nova de Patty e Mildred, se ligou e entrou com uma ação pelos direitos autorais.


Conseguiu provar na justiça que a música era das irmãs, mas como a editora Clayton F. Summy Co. havia publicado a canção pela primeira vez, teve que dividir 50/50 os direitos autorais com ela.

Mais tarde, essa editora foi comprada pela Warner/Chappell.


Em 2016, a justiça dos EUA decidiu que a canção é de domínio público e ainda determinou que a Warner/Chappell devolvesse 14 milhões de dólares para as pessoas e empresas que tinham comprado a licença para a execução da música nesse período.


A decisão da justiça dos EUA não afeta a cobrança dos direitos no Brasil.

1 comentário


Convidado:
10 de jul. de 2023

Muito legal! Adorei!! Não sabia dessa historia!

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